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Semana II da Quaresma (Ano C 2019)

 

19 de Março (Dia de S. José)




S. José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja
Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52).

Ele era o pai de Jesus:
o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus; era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça.

E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras – sabedoria, idade e graça – como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, “criou-o”, preocupando-se a fim de que não Lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio.

Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egipto, a dura experiência de viver como refugiados (…). Há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família.

Naqueles anos, José também ensinou a Jesus o seu trabalho,
e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam “o filho do carpinteiro” (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da “sabedoria” (…). José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus (…).

E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na – de uma maneira que os surpreendeu -. Quando Ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria.

Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus. Mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de São José a fim de que o seu Filho pudesse crescer “cheio de sabedoria” (Lc 2, 40).

Papa Francisco, Extractos da Audiência de 19 de Março de 2014.

Semana I da Quaresma (2019-Ano C)

Mensagem do Bispo de Aveiro para a Quaresma 2019

 

Sepultados com Ele no Batismo, foi também com Ele que ressuscitastes (Col 2,12)

O tempo de preparação rumo à Páscoa é propício para refletir sobre a vida cristã, a vida que provém do próprio Cristo. Para isso, temos de reavivar a consciência do sacramento que nos permite imergir no mistério de Cristo: o Batismo, tal como nos propõe o nosso Programa Pastoral.

A palavra Batismo significa mergulhar, imergir. Este mergulhar nas águas simboliza o sepultamento do homem velho na morte de Cristo, da qual com Ele ressuscita, como nova criatura (cf. 2Cor 5,17; Gl 6,15). O Batismo é a experiência que cada cristão faz em si mesmo da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

A centralidade de Deus na nossa vida constitui uma primeira consequência do Batismo. Reunidos com Cristo pelo Batismo, os cristãos são constituídos Povo de Deus, feitos novas criaturas pela água e pelo Espírito Santo, sendo chamados de verdade filhos de Deus. O Batismo constitui o nascimento para uma vida nova em Cristo. É o primeiro sacramento da Nova Lei que Cristo confiou à Igreja quando disse aos apóstolos: – “Ide, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19).

São Paulo associa o Batismo à morte e ressurreição de Cristo. Afirma que é pela fé na ressurreição de Cristo que nós fomos regenerados: – “Sepultados com Ele no Batismo, foi também com Ele que fostes ressuscitados, pela fé que tendes no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Col 2,12). Pelo Batismo, a vida do Ressuscitado habita em nós. – “Pelo Batismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos, pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova” (Rm 6,4). O Batismo é uma primeira etapa da Ressurreição: imersos em Deus, já nos encontramos mergulhados na vida indestrutível de Deus.

Superando de longe as purificações da antiga lei, o Batismo produz estes efeitos pela força do mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor. Na verdade, os que são batizados são configurados com Cristo por morte semelhante à sua, sepultados com Ele na morte, também n’Ele são restituídos à vida e juntamente com Ele ressuscitam.

Com efeito, no sacramento do Batismo, nada mais se comemora e realiza senão o mistério pascal, enquanto nele os homens e as mulheres passam da morte do pecado para a vida. Como refere o Papa Francisco na Mensagem para esta Quaresma, “quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco.

O pecado – que habita no coração do homem (cf Mt 7,20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva á exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela”.

A nossa caminhada quaresmal

Mediante o encontro pessoal com Cristo Redentor e através do jejum, da esmola e da oração, o nosso caminho de conversão rumo à Páscoa deve levar-nos a redescobrir o nosso Batismo, através de algumas práticas penitenciais:

1º Testemunhar ao longo deste Ano Missionário a necessidade de viver a vocação cristã, nascida do Batismo, nas ocupações de cada dia, não tendo medo nem vergonha de anunciar a Boa Nova de Jesus quer nas nossas comunidades cristãs quer mesmo em terras de missão.

2º Cultivar um estilo de vida simples e austero, partilhando os nossos bens com os mais necessitados. Ver menos televisão, usar menos o facebook como meio de expor a vida pessoal e a dos outros, o instagram, o whatsApp… tudo isso pode ajudar-nos a viver o silêncio como um meio privilegiado de encontro connosco mesmos e com os outros.

3º Andar sempre na presença de Deus, procurando na oração um coração semelhante ao Coração misericordioso de Deus Pai.

4º Viver as “24 horas para o Senhor” de forma comunitária, porque só partilhando a Palavra e celebrando juntos a Eucaristia e o sacramento da Reconciliação somos cada vez mais irmãos e vamo-nos transformando, pouco a pouco, em comunidade santa e missionária.

5º Celebrar o Lausperene diocesano que se inicia a 3 de março na Paróquia de Agadão e termina a 16 de junho na Paróquia de Vilarinho do Bairro, tendo sempre como intenção primeira a causa das vocações sacerdotais e de consagração.

6º Partilhar a nossa Renúncia Quaresmal com os nossos irmãos da Venezuela que estão a passar por momentos muito difíceis quer na vivência como povo quer na satisfação das necessidades básicas (alimentação, saúde…) e a quem somos também devedores pelo seu contributo partilhado anteriormente com tantas paróquias e centros sociais da nossa Diocese.

No domingo de Páscoa, os apóstolos receberam a vida nova do Ressuscitado, foram transfigurados em Cristo. Cabe a nós batizados, testemunhas da sua ressurreição, anunciar ao mundo que Ele está vivo no meio de nós e que a partir d’Ele um novo horizonte de vida se abre para o ser humano e para toda a criação.

 * Bispo de Aveiro.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

 

«A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19)


Queridos irmãos e irmãs!

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspetiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.

 

1.  A redenção da criação
A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

 

2.  A força destruidora do pecado
Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

 

3.  A força sanadora do arrependimento e do perdão
Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expetativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro de 2018.



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